A ESCRAVIDÃO EM PAUTA
8 Entrementes, Zaqueu se
levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus
bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.
Evangelho de JESUS CRISTO
segundo São Lucas, cap. 19:8.
JESUS CRISTO e Zaqueu, o Publicano.
Escravidão
É querer um pedaço de pão
E não ter a condição
De comprá-lo.
“A tontura da fome é pior do que a do álcool.
A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi
que é horrível ter só ar dentro do estômago.”
Carolina Maria de Jesus (1914-1977).
Escritora, compositora e
poetisa brasileira.
Escravidão
É não ter um lar
Onde possa morar.
Escravidão
É dormir no chão
Em cima de papelão.
“Ignorância e pobreza vêm de graça, não
custam trabalho nem despesa.”
Marquês de Maricá
(1773-1848).
Escritor,
filósofo e político brasileiro.
Escravidão
É não obter Educação
Num mundo em desenvolvimento.
É escravidão
Não saber o que está
escrito
Num simples livro.
Escravidão é não ter
emprego
Vivendo em degredo
No próprio País.
“Viver é o meu trabalho e
a minha arte.”
Michel de Montaigne
(1533-1592).
Jurista, político,
filósofo, escritor, cético e humanista francês.
Tudo isso é uma
escravatura
Que afeta muita criatura
Neste mundo.
Mas também é escravo
Aquele quem nem sabe
Por que nasceu, por que
sorri
E o que está fazendo aqui
Em meio a tanta
negligência humana.
“A maioria dos sofrimentos decorre da forma incorreta por que a vida é
encarada.”
Joanna de Ângelis (1761-1822).
É escravo o homem culto
Quem se acha muito astuto,
Mas não sabe o porquê
De estar num corpo de
carne
Que um dia descerá ao vale
Pela Lei da Morte,
Que muda a sorte
Do rico e do pobre,
Do plebeu e do nobre,
Do preto e do branco,
Que vivem em todo canto
Deste Orbe Planetário.
“O apego é a raiz do sofrimento.”
Buda.
Fundador do Budismo.
Mas a escravidão pior
É ter muita riqueza
E ter a total certeza
De que nada levará
Para o Outro Lado.
“A vida são as incessantes oportunidades que surgem pela frente,
jamais os insucessos que ocorreram no passado.”
Joanna de Ângelis (1761-1822).
O importante é fazer como
Zaqueu
E dar um pouco do que é
seu
Para quem necessita.
“Considerando-se a impermanência de tudo, em um mundo em constantes
alterações, o apego representa a ilusão para deter a marcha dos acontecimentos
e reter tudo mais, impossibilitando o surgimento da realidade.”
Joanna de Ângelis (1761-1822).
Escritora brasileira.